Devocional #115 - Como está o seu sorriso hoje?
Então, José se lançou sobre o rosto de seu pai, e chorou sobre ele, e o beijou.
Gênesis 50:1
Às vezes caímos no erro de acreditar que expressar sentimento é sinônimo de fraqueza.
Acreditamos nisso porque a aparência daquele que esconde seus sentimentos é de alguém inabalável, e o mundo fez essa imagem ser sinônimo de força. Portanto, automaticamente, o contrário passa a ser visto como fraqueza.
Mas será que aquele que tem a ousadia de demonstrar claramente o que sente não é, na verdade, mais valente do que aquele que se esconde atrás da máscara do inatingível?
Depende.
Depende verdadeiramente de como cada um lida com isso. Não existe fórmula exata, mas o quanto a pessoa se permite ser alcançada em sua intimidade pelos próprios sentimentos, e o quanto ela deixa que esses sentimentos determinem suas ações, é o que revela a sua força.
Há medida para tudo e, antes que as coisas fujam do controle de nossas mãos, precisamos lidar com coragem e honestidade com quem somos e como nos sentimos.
Carregar um sorriso no rosto não significa plenitude e felicidade, assim como não invalida o esforço dessa pessoa em não se permitir abalar.
O sorriso pode apontar para duas situações: ou realmente há felicidade – e é maravilhoso ter liberdade para expressar esse sentimento tão bom e contagiante – ou ali existe alguém que luta para não cair, e essa luta precisa de atenção e não de negligência.
Quantas vezes nos cumprimentamos com um “Oi, tudo bem?” vazio de real interesse em saber se o outro vai bem, apenas por hábito? Quantas vezes respondemos a esse cumprimento com outra frase pronta e habitual: “Vou bem, e você?”
Não importa mais quando isso começou, mas importa o motivo de termos deixado de cuidar de nós mesmos e do próximo.
A medida, conforme Eclesiastes 3, está em compreender e respeitar o tempo reservado para cada situação.
O rei Salomão partilha sua sabedoria no início desse livro dizendo que tudo é vaidade. Na raiz hebraica, essa palavra vem de “sopro”. Com isso, ele afirma que tudo o que vivemos é transitório; independentemente do nosso empenho, tudo passa, assim como os dias e as noites.
Por isso, no capítulo 3, ele declara com clareza que tudo tem um tempo determinado, uma duração transitória.
Precisamos viver o momento – suas alegrias ou dores, vitórias ou fracassos, vigor ou fraqueza, tempo de trabalho ou de descanso – sem abreviar as experiências e o impacto que elas geram em nós. Por outro lado, também precisamos evitar prolongá-las ao ponto de torná-las maiores do que deveriam ser.
Todos desejamos que a felicidade e a satisfação durem para sempre, enquanto queremos que a dor desapareça instantaneamente. Contudo, o crescimento acontece no processo: ali descobrimos quem somos e vislumbramos quem podemos nos tornar.
Perante a morte de seu pai, José, governador do Egito e homem mais influente depois do Faraó, chorou (Gn 50:1). Ele viveu seu luto durante setenta dias e o texto bíblico registra, no versículo 4: “Passados os dias de chorarem…”. Ou seja, eles viveram o que aquele momento trazia, mas aceitaram que esse tempo precisava terminar. Não podemos vestir a tristeza como uma roupa permanente.
Quando aquele período terminou, José foi falar com o Faraó sobre a peregrinação até a terra de seu pai para cumprir o desejo dele de ser enterrado em Canaã.
Durante o caminho, quase chegando ao destino, a tristeza do luto e a dor da separação voltaram a tocar seu coração (v. 10). José se permitiu sentir novamente, de maneira natural. Ainda assim, ele não transformou essa dor em condição permanente.
No versículo 14, lemos que, depois de cumprir tudo, José voltou ao Egito, retomou seus afazeres e seguiu com a vida.
Depois disso, seus irmãos se aproximaram para pedir perdão pelo mal que lhe fizeram quando ele era jovem. Essas memórias mexeram com ele e José chorou de novo (v. 17). Mas, mais uma vez, o processo foi semelhante: ele sentiu, colocou para fora – não deixou que o ressentimento crescesse por dentro – e seguiu em frente. Ele perdoou, reconhecendo que Deus, maior que tudo e todos, transformou o mal em bem. José entendeu que o cuidado do Senhor é transformador e que Sua sabedoria converte circunstâncias em propósitos.
Esse capítulo apresenta um homem forte, poderoso, influente, longânimo e sensível. Nenhuma dessas qualidades diminui por causa da sua sensibilidade. Da mesma forma, nem sua expertise nem sua capacidade administrativa perdem valor por causa dos momentos de dor.
José sabia sentir e dar a cada experiência o peso e o tempo corretos. Por isso, ele não permitiu que essas experiências se transformassem em uma avalanche destruidora dentro de si, capaz de tomar conta de tudo e fazê-lo esquecer quem ele era.
Depressão, ansiedade e síndromes semelhantes, em muitos casos, envolvem distúrbios químicos no cérebro que exigem acompanhamento e tratamento, inclusive medicamentoso. Ao mesmo tempo, a origem de parte desse sofrimento costuma estar em experiências antigas, quando, em algum momento, por não saber como lidar ou por não querer encarar um determinado sentimento, a pessoa escolheu ignorar esse estado interno. Esse acúmulo, ao longo do tempo, pode desequilibrar todo o organismo.
Em todas as situações, o Senhor pode agir: por meio de irmãos que se apoiam mutuamente, por meio de médicos que Ele mesmo capacitou e levantou para cuidar de seus filhos, e também através do Espírito Santo, que nos encontra no secreto do coração e nos ajuda a abrir as janelas para a luz voltar a entrar.
Que tal hoje agradecer por esse dia maravilhoso e, em seguida, silenciar um pouco para ouvir a voz do nosso Senhor, o Espírito Santo, revelando o Seu amor?
Não se esqueça: eu também estou aqui, como sua irmã em Cristo, para te apoiar.
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