Devocional #121 - Não tenho tempo
A expressão “voz do Faraó em nossas vidas” nos ajuda a entender como a falta de tempo, o peso do trabalho e as preocupações constantes podem nos afastar de Deus sem que percebamos.
Este texto é para quem ama ao Senhor, mas sente que vive sobrecarregado, distraído e distante da presença de Deus.
A partir de Êxodo 5:9, vamos refletir sobre como o inimigo usa as circunstâncias para nos prender em cativeiros internos – e como Jesus, o Bom Pastor, nos chama de volta ao primeiro amor.
Êxodo 5:9 – “Agravesse o serviço sobre estes homens, para que se ocupem nele e não confiem em palavras de mentira.”
Hoje, uma das maiores queixas das pessoas é a falta de tempo.
Vivemos conectados o tempo todo, e por isso nossa mente raramente descansa das preocupações.
Muita gente dorme com o acesso à internet ligado no celular.
Aquilo que deveria ser apenas um telefone se transforma em um capataz, nos lembrando o tempo inteiro de que não podemos parar, não podemos “ficar à toa”.
A loucura é tanta que, muitas vezes, depois de um dia cheio de afazeres, pegamos o celular “para relaxar”.
Talvez você já tenha pensado: “Vou olhar só um pouquinho e aí me acalmo”.
Mas esse pensamento é controverso: em vez de descansar em Deus, buscamos distração em uma tela.
Quando Moisés e Arão vão falar com o Faraó pela primeira vez, ele se enfurece.
Em resposta, ordena aos superintendentes e capatazes que tornem o trabalho do povo ainda mais difícil.
A justificativa de Faraó é clara: quanto mais ocupados eles estivessem, menos pensariam em Deus.
Essa é uma estratégia de distração.
É curioso como o Faraó se parece com o que nós mesmos fazemos conosco hoje.
Faraó deu voz ao inimigo com essa ordem.
Deus já havia preparado Moisés, dizendo que endureceria o coração de Faraó, mas as atitudes do rei revelam o oportunismo do maligno: usar a dor e a aflição para impedir o povo de associar Deus a algo bom.
Muitas vezes, o que Deus nos deu como bênção é deturpado pelo inimigo, e nós passamos a reclamar em vez de adorar.
Alguns exemplos:
Quantas são as bênçãos concedidas por Deus que o inimigo tenta transformar em motivo de ingratidão, ao invés de louvor ao Senhor?
E quantas vezes tomamos decisões guiados pelos nossos desejos, e não pela voz de Deus, e isso nos leva a situações que nos afastam do Senhor sem que percebamos?
Na maioria das vezes, a “voz do Faraó” em nossas vidas somos nós mesmos.
Sem notar, passamos a falar para nós aquilo que endurece o nosso coração.
Nossas vaidades e nosso orgulho nos fazem acreditar que temos mais controle sobre nossas preocupações e circunstâncias do que Deus Pai.
Assim, vamos sendo endurecidos e cegados dentro dessas vaidades, presos em um cativeiro para o qual o inimigo nos conduz sorrateiramente.
Nesse estado, começamos até a duvidar do que Deus já nos revelou em outros momentos.
Foi o que ocorreu com Moisés, que questionou ao Senhor por que Ele o havia enviado, se ainda não tinha livrado o povo de suas angústias (Êxodo 5:20–30).
Perceba: o inimigo, em si, muitas vezes não precisa “fazer” nada espetacular.
Ele se aproveita das circunstâncias para nos conduzir a cativeiros internos.
Ele não precisa criar grandes armadilhas.
Basta aumentar o “volume” da nossa carne em nossa mente – desejos, ansiedade, orgulho, medo.
Todo o resto, na maioria das vezes, nós mesmos fazemos.
Mas o inimigo não conta com o poder imensurável de Jesus Cristo.
A voz do Bom Pastor jamais é esquecida ou confundida por suas ovelhas.
Hoje, podemos fazer um exercício sincero: olhar para dentro de nós e identificar quanto espaço temos dado para ouvir a voz de Deus em nossas vidas.
Se percebermos que esse espaço está pequeno diante do espaço que o “mundo” ocupa em nós, é hora de voltar ao primeiro amor.
Podemos pedir ao Espírito Santo de Deus que nos perdoe e nos mostre o caminho de liberdade.
E devemos nos preparar, porque certamente Ele vai nos pedir alguma mudança. Aleluia!
Que tal hoje iniciarmos nossa conversa com o Pai agradecendo?
Agradecer pelas bênçãos, pelo cuidado, pelo livramento e, inclusive, por Ele nos mostrar onde a “voz do Faraó” tem sido mais alta do que a voz de Deus em nossas vidas.
A partir dessa gratidão sincera, peça direção, discernimento e coragem para ajustar aquilo que precisa ser mudado.
Assim, passo a passo, você sai do cativeiro das circunstâncias e volta a experimentar a liberdade e o amor do Bom Pastor.
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